Ossobuco (Meu Novo Amor Eterno)

Talvez eu já tenha mencionado que sou de Minas e vivi uma vida mais ligada ao interior... (devo ter dito só umas 36 vezes...). Morei a maior parte da vida em Brasília, mas minha família fez quase um "puxadinho" de Coromandel lá, o que conservou desde o sotaque até o gosto por sabores mais fortes de fazenda. É galinha caipira, rabada, suã (???) de porco e tudo que a maioria das pessoas da cidade grande viram o nariz.

Esse prato é tudo que eu amo, mas bem mais amigável aos paladares normais... Tem força, tem calor, tem maciez e um caldinho que cura até a mais severa ressaca. E para os iniciados, tem o tutano molinho que coroa a maravilha toda.

Não chega a ser difícil, mas cada minuto a mais que dedicar a ele, será retribuído em forma de profundidade e complexidade de sabor... Sim, vale a pena fazer de manhã e jantar a noite, mas também conquista qualquer coração apressado se lançar mão de uma panela de pressão honesta.

Vou ensinar as duas formas e sugiro até que teste as duas para comparar.

Chega de papepê e vamos aos ingredientes:
  • 2 peças de ossobuco (+-1kg)
  • 1 cenoura grande em cubinhos
  • 2 talos de salsão em cubinhos
  • 1 cebola grande picada
  • 4 dentes de alho grandes amassados
  • meia pimenta dedo de moça (com ou sem semente dependendo do seu apetite por ardor)
  • 2 latas de tomate pelado
  • meia garrafa de vinho tinto seco 
  • 2 colheres de farinha de trigo 
  • ervas frescas (usei o que tinha: alecrim, tomilho, orégano e manjericão)
  • 1 canela em pau
  • sal e pimenta preta a gosto
Observação: se você optar pela versão estendida da receita, vai precisar de uma panela com tampa que não tenha nenhuma parte plástica ou de vidro, pois ela irá ao forno. A minha panela tem um puxador de plástico na tampa, mas eu desparafusei o puxador e usei assim mesmo. Deu tudo certo.
Caso não tenha algo assim, vai de panela de pressão mesmo que você não vai ser arrepender!

Pra começar espalhe um pouco de sal e pimenta preta em volta das peças de ossobuco e depois espalhe uma colher de farinha de trigo em cada peça. Essa capinha vai ajudar a selar a carne e dar uma consistência a mais no molho.

Agora vamos dar cor a essa carne. Espalhe um fio de azeite no fundo de uma panela bem quente e sele as peças uma a uma de todos os lados. Assim que a carne estiver bem douradinha, retire da panela e reserve.

Leve a cebola, o alho, a pimenta, o salsão e o pau de canela para suar na panela (rimou). Quando a cebola estiver dourada pode devolver o ossobuco pra panela e acrescentar as latas de tomate pelado, o vinho e as ervas frescas (amarradinhas em um bouquet garni).

Agora é o seguinte: se você optou por usar a panela de pressão basta tampar e deixar cozinhando por 30 minutos. Após esse tempo abra a panela e verifique se a carne está bem macia. Se não estiver, volte pro fogo e espere mais 10 minutos. Normalmente com esse tempo a carne está quase desmanchando e os demais ingredientes do molho já derreteram formando um delicioso caldo. Experimente e acerte o sal se achar necessário.

Agora se você optou pela versão "to com o dia livre", tampe a panela e envolva toda ela em papel alumínio. Leve ao forno a 170 ou 180 graus por 2 horas. Após esse tempo, abra a panela e verifique se a carne está super macia. É um bom momento também para acertar o sal caso precise.
Provavelmente ainda não estará tão macia assim, então envolva novamente no papel alumínio e deixe no forno por mais 1 hora.

Após esse tempo já está pronto para se deliciar, mas o toque de chefe é o seguinte: desligue o forno e não abra. Deixe a panela lá no calorzinho até a hora do jantar. A minha ficou por umas 4 horas com o forno desligado e nem eu acreditei quando vi o resultado. Foi de brilhar os olhos e salivar pra sempre. Só de contar aqui pra vocês estou sofrendo de novo rsrs.

Sirva a carne com uma polenta simples ou com um purê.

Se sobrar um pouco de molho, experimente usar como molho de um macarrão. Tenho certeza que será amor eterno, amor verdadeiro.




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